A Beautiful Disaster
(ou 4 de Abril de 2012, o dia que confirmei que Dave Grohl é rei, DEUS supremo, o fodástico em todos os sentidos)
É sempre uma tarefa difícil reproduzir o sentimento que é estar no show que você espera praticamente metade da sua vida. Já peço desculpas pela precariedade do relato, rola um diálogo interno absurdo que não consegue organizar pensamentos sobre o show. Foi um choque.
Nenhuma palavra chega perto do que é realmente estar lá: a compra do ingresso, a espera, a viagem, a fila quilométrica, o momento que as luzes se apagam e a banda entra no palco, a expectativa da próxima música que o artista vai tocar ser a música da sua vida. Parece que leva uma eternidade pra chegar e quando acaba passou rápido demais.
Achei que depois do show do Paul McCartney em POA não existiria show algum que pudesse ultrapassar a emoção que senti naquele 7 de Novembro de 2010. Mentira. Esse show se encaixa no mesmo nível, mas com outro sentimento. Não rolaram lágrimas de emoção mas uma empolgação rasgada, aquela vontade de perder a voz cantando junto, levantar os braços e querer subir no palco e chutar tudo e dar um abraço no Dave e dizer o quão foda ele é. Mas ele sabe disso é só chover no molhado.
4 de Abril de 2012, Buenos Aires, Capital Federal
O dia que tudo poderia dar errado. Saímos do Subte e o tempo estava ameaçando chuva mas não imaginávamos que toda a água do universo cairia na cidade. Faltando poucos metros pra entrar no Monumental de Nuñez a chuva engrossou e o vento soprou forte, muito forte. Mais tarde fiquei sabendo que quase 20 pessoas morreram por conta da chuva.
Não ficamos pro Arctic Monkeys, acho uma banda dispensável pro momento do show. A chuva apertou, o vento piorando. Então os Foos entram. Dave Grohl entra. O epic supreme motherfucker do universo, possivelmente o frontman mais incrível dos últimos 20 anos. O cara. O CARA.
Confesso que levei meia hora pra entrar no clima do show porque a chuva realmente desanimou muita gente. Mas quando entrei no espírito… Foi brutal. Incrível. Épico. Expulsei os demônios no grito, deixei minhas preocupações em Porto Alegre, só queria cantar e pular e continuar ensopada, com frio e dor nas pernas ao som dos caras mais fodas ever.
Ele começa falando que caga e anda pra chuva, caga e anda pro vento, que vai fazer todo mundo se divertir. O cara cancelou shows na Ásia porque a voz dele tava baleada mas nessa noite, mesmo com a voz rasgada, ele gritou, fez gato e sapato das cordas vocais. Porra, o cara cantou com o coração, a alma e as tripas, precisa mesmo de garganta? Quando ele não podia mais, fazia firulas com a guitarra, jams, duelo de guitarra com o Chris, esticava uma música, corria pelo palco e mesmo assim ele botou os fãs em primeiro lugar.
O setlist absolutamente impecável e com algumas surpresas. Eu nunca vejo setlist de outros shows porque gosto da surpresa, gosto de pensar “caralho, não acredito!”. “Generator” foi a grande surpresa pra mim, arranhei o “There’s nothing left to lose” de tanto escutar essa faixa. Cantou Pink Floyd, cantou For All the Cows, deixou faltar Bridge Burning mas tudo bem.
Apresentou os colegas de banda, a galera pede solo de guitarra dele, arrisca umas firulas e se justifica: “eu sou baterista, porra!”. Ele valoriza todo mundo que está no palco com ele, inclusive o Taylor que, segundo o próprio é um puta baterista e melhor amigo. Quem assistiu o documentário “Back and Forth” sabe o que estou falando. Ele inclusive reforçou como músicos influenciam outros músicos, que influenciam outros músicos. Essa foi a deixa pra apresentar a Joan Jett: eles não existiriam se não fosse ela.
Mas o ponto alto foi explicar, entre uma música e outra, por que as luzes do estádio estavam acesas: “O vento e a chuva estragaram boa parte das luzes do palco, por isso ligaram as luzes e até prefiro assim porque posso ver todos vocês.” E emenda essa:
“I’m fucking, I’m glad that it rained, I’m glad that the fucking lights don’t work, I’m glad that tonight was a fucking disaster. Because it was the most beautiful fucking disaster the Foo Fighters have ever had. Thank you very much for coming to witness our disaster! I promise that when we come back everything will be a fucking disaster.”
Tem como amar mais esse cara? Tem gente que destrata o público, só quer o dindin e ir embora. Os Foos fizeram de tudo pra que as pessoas que estavam ali ensopadas, com barro até o rabo e com frio tivessem o melhor show da vida delas.
Eu tive.
Dave, você é O CARA.
Agora fica a pergunta: como curar uma depressão pós-show?
Sobre fazer o que se ama

Com a proximidade dos meus 30 anos (velha, novinha, não sei) senti que muito do que eu acreditava dos 20 aos 29 já não fazia mais sentido. Não sei se quero seguir trabalhando com internet se eu me basear no que passei pelos últimos 3 anos. Essa vontade está perdendo força pro que eu realmente amo fazer: tipografia e fotografia, duas coisas que me acompanharam desde muito antes de decidir o que fazer no vestibular.
Talvez com o passar da idade a gente deixa de fazer o que a pressão interna e a pressa de querer fazer tudoaomesmotempoagora. Noto que vários amigos chegam nessa idade (ou se dão conta mais tarde, perto dos 40) que estão desistindo do que faziam até agora só por ganhar dinheiro pra correr atrás do que realmente amam fazer, mesmo que isso implique em começar do zero.
Estou aos poucos aceitando a idéia que é necessário começar do zero. Começar uma nova vida, uma nova década, uma nova etapa. Não sei se tenho mais idade, mentalidade e maturidade pra ter a vida profissional que eu tive até 6 meses atrás. Esses últimos 3 anos foram de decepções gigantescas, muito stress, de reavaliação da vida profissional, eliminar pessoas que me prejudicaram de graça, não trabalhar num lugar só por estar trabalhando mesmo que isso signifique acordar 5 da manhã e ir para outra cidade e voltar só 9 da noite.
As coisas mudam, as prioridades mudam.
Por enquanto fotografia não vai ser possível, preciso gastar os tubos pra ter um arsenal de trabalho aceitável pra ter essa vida. Decidi algo mais possível dentro das minhas finanças. Adoro escrever, adoro usar minhas penas, canetas nanquim e não me permito mais ter letra feia, jamais e olha que já tive garrancho que faria qualquer médico rir da minha cara.
Cada dia aprendo mais que fazer o que realmente se ama faz bem pra alma. Esses dois vídeos são uma aula pra não me fazer desistir e correr atrás do que amo.
É PROIBIDO FALAR
Duas coisas que talvez eu jamais fale por aqui de novo.
Lomografia
Respeito poucos que usam câmeras de brinquedo superfaturadas: eles usam outras câmeras. Só acho bom esse movimento pra fotógrafo iniciante se dar conta de procurar câmeras melhores e fazer a indústria de filmes e a venda de químicos para revelação em casa seguirem vivas.
Câmera de plástico vagabunda com filme xing-ling reembalado vendido a preço de ouro? Que tem péssimo aproveitamento do negativo? Não existe possibilidade de nada. No thanks. As pessoas pagam demais por uma câmera que tira foto ruim. Se a idéia é gastar dinheiro pra ter esse visual, ok, o dinheiro é seu.
Conselho do fundo do coração: Compre uma Olympus XA, compre uma SLR usada no eBay/Mercado Livre como a Olympus Trip, Canon AE-1, vá na feira dominical e cate um vendedor de câmeras antigas em bom estado (e funcionando, claro) e não gaste dinheiro tirando fotos ruins.
Polaroid idem: as fotos se forem jogadas num canto sem o mínimo de conservação não vão durar nada (vão amarelar e desfocar).
Blogueiras de moda
Uma coisa que sinto muita falta é quando blogs falavam de tudo, não existia monetização nem publi-post, o conteúdo era único e existiam opiniões próprias. Hoje em dia blogueiro virou profissão mas a preocupação com o conteúdo é quase zero. Blogs de moda e maquiagem conseguem ser o pior exemplo disso porque tem blogueira que se acha mais que as outras, se acha no direito de primeira fila em evento de moda, se acha a última bolacha do pacote.
Acha que só por ser blogueira pode mendigar esmalte de 2 reais na feira de beleza, postar look do dia “faxina de sábado em casa”, look pra comprar pão, look pra aniversário da bisavó, look “usei qualquer coisa e as blogueiras vão achar lindo”, usar batom laranja (que nem combina com a cor da pele) e achar que tá arrasando.
Tudo é mais do mesmo, tudo é reciclado dos blogs que realmente sabem o que estão falando, das pessoas que pesquisam. Tutoriais sem sentido, vídeos sem conteúdo, dicas de viagem dadas por blogueiras que tem marido rico e não conhecem o target do próprio blog, jabá de marca pra falar bem de qualquer coisa mesmo se for pobrinho, Londres virou a IT VIAGEM das blogueiras que mal sabem onde fica a Irlanda, que bolsa made in China da 25 de Março virou “inspired”, blogueira que gasta os tubos em maquiagem pra fazer estoque ou dizer que tem.
Peguei nojo de blogueira de moda.
Sensualizando
Num papo aleatório com o namorado e uma amiga concluí que o mundo do metal anos 80-90 foi a era dos homens que cuidavam muito bem do cabelo e melhor que muita mulher.
Aliás são eles que tem que dar dicas pra deixar o cabelo lindo assim e não uma supermodel alemoa que usa Pantene. Me engana que eu gosto.
Claro que nem tudo é cuidadinho assim, lisinho e com volume controlado, mas olha que inveja desses caras que batem cabelo com essas madeixas.
Aí tem o Axl, que em áureos tempos tinha aquela cabeleira ruiva linda e bem cuidada (e ele era lindo, não esse acidente que aconteceu com ele). Aí vi o show do Stratovarius ano retrasado com o namorado quase pulei no palco pra cortar o cabelo do Timo Kotipelto (o garboso rapaz finlandês à esquerda na foto acima) pra fazer peruca loira #aloca
Mas admito que levei um tempão pra gostar de cabeludões, achava homem de cabelo comprido desleixado, que não cuidava de cabelo blablabla whiskas sachê mas tá aí um punhado de exemplos pra eu morder a língua.
Melhor que isso só usando bandana.
E pra fechar o post por ser Foo Fighters month, uma imagem completamente gratuita do sir David Eric Grohl usando seu cabelo a serviço do rock.
Top 5 irritantes coisas do dia-a-dia
Fazendo jus a minha distimia e por uma cobrança pelo Facebook pra atualizar o blog (vai entender
) hora da rabugice. O que seria do mundo sem ela néam?
1- Gente que toma banho de perfume
Pessoas que tomam banho de perfume deveriam ser trancadas numa salinha 2×2 sem janelas e sem ventilação. Se for perfume doce, que abomino profundamente, pior ainda. Desejo uma diarréia violenta pra quem faz tamanho crime. Perfume doce me lembra perfume de velha ou puta pobre… ou pessoa que perdeu o olfato de tanto perfume ruim.
Trinta
Seguindo a tradição de fazer posts de aniversário relacionado ao número da idade, farei obviamente dos meus 30 anos. Pena que o blog antigo não tem mais os posts dos anos 24 em diante.

30 é o número atômico do Zinco
30 é o número de arestas de um Dodecaedro e um Icosaedro (hein?)
É o número das Variações Goldberg, do Sebastian Bach. O compositor eternamente talentoso, não o cabeludo louro dos anos 80.
30 é o número de dias dos meses de Abril, Junho, Setembro e Novembro e em alguns casos raros, Fevereiro (hã?)
30 é o número em anos das Bodas de Pérola
Foi a duração da Guerra dos 30 Anos (O RLY?)
É o código de área da Grécia
É o número de faixas do Álbum Branco dos Beatles












